domingo, 20 de julho de 2008

Secreção

Alguém olha pelo vão da porta: algo de estranho ali ocorria. Não sabia identificar aquela transmutação complexa, palavras lhe faltavam. A cena era monumental, esplendida. Por certas vezes brilhavam aqueles olhos observadores. Por outras a face parecia oscilar, como uma flâmula ao vento, mesmo sem sair sequer um sopro de ar daquele antro.

A situação era peculiar. Nada ocorria de tão especial. Alguns movimentos e enfim a tragédia. A porta se fecha e leva consigo aquele olhar pálido. Cai desfalecido aquele alguém tão observador, obcecado, ausente e trêmulo. Torna-se inanimado, como pedra, como montanha... e deixa de ser.

Escorre então a secreção, por debaixo da porta. Nem humana, nem nada. Apenas escorre, é por si só.

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