Passei um mês sumido. Pensei pouco. Escrevi quase nada. Verifiquei que deste 12/03 não produzi nada. Triste. Essa quarta fase que me mata. Bom, serei breve. Aqui está o último lixo que soltei por ai.
O muro
Ao encontrar o muro, olho para trás e vejo nada. Sei que aquela parede não é nada além da minha única visão de mundo. Encontro comigo mesmo, penso sentado em coisa alguma, penso sozinho. Deixo de expor idéias, temo perdê-las. Fico naquele mundo de eu mais eu mesmo. Às vezes tomo algum vinho suave, por outras, apenas uísque. Mas nunca deixo de sentar em frente ao muro branco. Ele é tão luminoso, mesmo em dias chuvosos. É um muro. Inerte. Passam anos e sua pintura não se degrada. Deve ser o ar dessa região muito puro. Ou às vezes até mesmo o clima temperado. Afinal, não sei. Nem me convém saber. Apenas aprecio o muro. Observo alguns tijolos mal assentados, falhas no concreto, enfim, as imperfeições do muro. Apenas observo-as. Não penso em um dia buscar algo, ou mesmo alguém para quem possa retratar minhas observações acerca do muro. Prefiro que ele fique ali, estático. Assim ao menos tenho a certeza que terei aquele muro para olhar no futuro. Não se sabe como as pessoas reagiriam. Temeriam ao conhecer as possibilidades de falha daquele muro. Ou quem sabe temeriam o que pode haver por trás do muro. Prefiro não saber. E mesmo pelo fato de que poucas são as pessoas que vem até aqui para ver o muro. É uma área isolada, sem muita importância econômica. Prefiro deitar e olhar o céu, vai que lá encontro as respostas que o muro também me esconde, ou quem sabe, encontre novas perguntas.