sábado, 16 de fevereiro de 2008

Psicorelatononsense.

Pois bem, aqui estou novamente. Não em tempo prometido, mas estou aqui, simplesmente. Senti uma profunda vontade de relatar minhas experiências psicodálicas, psicodélicas, lisérgicas. Vim ao Personal Computer (como sempre em dias nublados) e pus-me a redigir algo. O poema publicado na postagem anterior é um sí a essência do que se passou, mas tenho necessidade de relatar em prosa.

Psicodália (em dias, horas e minutos - talvez)


Sexta-feira 01/02/08 23:00 - A tensão aumenta, as malas são verificadas.
Sábado 02/02/08 01:00 - Diego está lá fora conversando com um amigo, ligo para ele e peço que venha para casa buscar as coisas.
Sábado 02/02/08 01:30 - Rumamos ao ponto de ônibus onde tomamos cervejas e entramos no clima festivo.
Sábado 02/02/08 04:00 - Nosso ônibus parte do centro de Florianópolis.
Sábado 02/02/08 (horas longas dentro de um ônibus, que não chega nunca a São Martinho) - Laricas, conversas, papo furado, vida nonsense.
Sábado 02/02/08 10:00 - Chegamos ao paraíso na terra. (daqui em diante não sou capaz de relatar datas, horários, vidas, sinestesias, metalografias, riachos cristalinos, céu furta-cor, não relato mais nada em perfeito estado de sanidade).

Eis que começa o grande evento! Riachos que realmente lavaram a alma. Sol e chuva nos dois primeiros (e eternos) dias. Comidas alternativas na fogueira, pães assados, lisergia. Era tudo de uma harmonia tão plena que não havia do que queixar-se. Uma energia inexistente em qualquer outro ponto da terra. Alternatividade, pessoas felizes, paz. Para que desejar algo mais sublime que isto? Realmente, como diria a letra daquela música de Júpiter Maçã - Um Lugar do Caralho - realmente! Felicidade por vários dias. Logo já estava habituado a rotina daquela vida. Tudo era estabelecido como se ali estivessem todos há vários anos. Sou capaz de jurar que não foram só quatro dias (mas sim 16 ou 17 anos) - Incrível!

Rodas de música! O lendário Plá - líder espiritual do evento - com sua viola e todas aquelas idéias de uma loucura por si só, sem nada que a gere. A loucura primordial. Parei pra pensar, não é que ele está mesmo certo! Dias que não voltam mais, mas ouso a viver eles ainda (mesmo não mais lá estando). Ideais não se fazem apenas naqueles dias, mas sim continuamente na vida. è assim que devemos ser, não é mesmo?

Loucuras, loucuras, lisergia. Que relatar? Não sei. Só vivendo aquilo para saber. espero que em breve venham mais momentos-reunião como aqueles. Estamos com idéias de promover um evento de cultura alternativa na UFSC e depois um de maior porte em algum lugar da ilha! Vamos em frente com nossos ideais!

Que Woodstock ressuscite!


Foto do riacho que passava em meio ao Psicodália

E para finalizar por hoje ai vai um poema recente meu.

Solaridade

Imagens fúteis e luminosas

que se fazem na consciência

do homem não humano

e perfuram seu coração.

Imagens de um sol não mais tão claro,

nem tão brilhante

como antes fora.

Desilusão,

e re-ilusão.

Domina a mente já não mais cega

ao que já dominou.

Já não mais o que fora,

não mais nada,

ou tudo que poderia ser.

Uma solaridade opaca,

demente, dominadora,

mas que não ofusca

por seu tom ocre,

As vezes amarelo-ocre-claro-dourado

das telas passadas.

Mas sem uma solaridade em si.

Solaridade tangente pela esquerda

como faca afiada ao cortar a retina

que já não mais via o brilho,

agora já não existente,

mas ansiava por vê-lo novamente.

Uma solaridade assim, tão demente

que toma o homem, não mais humano,

mas o homem monstro, o selvagem

que não mais vê aquele raio de sol.

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