domingo, 24 de fevereiro de 2008

Pós Júpiter.

Hoje acordei um tanto concreto, cimentado, sonolento de ressaca, nonsense.


Concerto urbano
Ding! Dong!
Bip! Bip!
Tic tac
Tic tac
Slupf!
E as ruas gritam em desespero
Com temor do tráfico
Rá ta ta ta ta!
Morte
Talvez
E as pessoas correm...
Fogem...
E os gases sobem
Carros corrida
Zzzzummm!
Rrrrrr!
Freada
Acidente
Morte
A cidade não é mais a mesma
Puft!

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Psicorelatononsense.

Pois bem, aqui estou novamente. Não em tempo prometido, mas estou aqui, simplesmente. Senti uma profunda vontade de relatar minhas experiências psicodálicas, psicodélicas, lisérgicas. Vim ao Personal Computer (como sempre em dias nublados) e pus-me a redigir algo. O poema publicado na postagem anterior é um sí a essência do que se passou, mas tenho necessidade de relatar em prosa.

Psicodália (em dias, horas e minutos - talvez)


Sexta-feira 01/02/08 23:00 - A tensão aumenta, as malas são verificadas.
Sábado 02/02/08 01:00 - Diego está lá fora conversando com um amigo, ligo para ele e peço que venha para casa buscar as coisas.
Sábado 02/02/08 01:30 - Rumamos ao ponto de ônibus onde tomamos cervejas e entramos no clima festivo.
Sábado 02/02/08 04:00 - Nosso ônibus parte do centro de Florianópolis.
Sábado 02/02/08 (horas longas dentro de um ônibus, que não chega nunca a São Martinho) - Laricas, conversas, papo furado, vida nonsense.
Sábado 02/02/08 10:00 - Chegamos ao paraíso na terra. (daqui em diante não sou capaz de relatar datas, horários, vidas, sinestesias, metalografias, riachos cristalinos, céu furta-cor, não relato mais nada em perfeito estado de sanidade).

Eis que começa o grande evento! Riachos que realmente lavaram a alma. Sol e chuva nos dois primeiros (e eternos) dias. Comidas alternativas na fogueira, pães assados, lisergia. Era tudo de uma harmonia tão plena que não havia do que queixar-se. Uma energia inexistente em qualquer outro ponto da terra. Alternatividade, pessoas felizes, paz. Para que desejar algo mais sublime que isto? Realmente, como diria a letra daquela música de Júpiter Maçã - Um Lugar do Caralho - realmente! Felicidade por vários dias. Logo já estava habituado a rotina daquela vida. Tudo era estabelecido como se ali estivessem todos há vários anos. Sou capaz de jurar que não foram só quatro dias (mas sim 16 ou 17 anos) - Incrível!

Rodas de música! O lendário Plá - líder espiritual do evento - com sua viola e todas aquelas idéias de uma loucura por si só, sem nada que a gere. A loucura primordial. Parei pra pensar, não é que ele está mesmo certo! Dias que não voltam mais, mas ouso a viver eles ainda (mesmo não mais lá estando). Ideais não se fazem apenas naqueles dias, mas sim continuamente na vida. è assim que devemos ser, não é mesmo?

Loucuras, loucuras, lisergia. Que relatar? Não sei. Só vivendo aquilo para saber. espero que em breve venham mais momentos-reunião como aqueles. Estamos com idéias de promover um evento de cultura alternativa na UFSC e depois um de maior porte em algum lugar da ilha! Vamos em frente com nossos ideais!

Que Woodstock ressuscite!


Foto do riacho que passava em meio ao Psicodália

E para finalizar por hoje ai vai um poema recente meu.

Solaridade

Imagens fúteis e luminosas

que se fazem na consciência

do homem não humano

e perfuram seu coração.

Imagens de um sol não mais tão claro,

nem tão brilhante

como antes fora.

Desilusão,

e re-ilusão.

Domina a mente já não mais cega

ao que já dominou.

Já não mais o que fora,

não mais nada,

ou tudo que poderia ser.

Uma solaridade opaca,

demente, dominadora,

mas que não ofusca

por seu tom ocre,

As vezes amarelo-ocre-claro-dourado

das telas passadas.

Mas sem uma solaridade em si.

Solaridade tangente pela esquerda

como faca afiada ao cortar a retina

que já não mais via o brilho,

agora já não existente,

mas ansiava por vê-lo novamente.

Uma solaridade assim, tão demente

que toma o homem, não mais humano,

mas o homem monstro, o selvagem

que não mais vê aquele raio de sol.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Sobrevivi!

Pois bem, neste inútil e breve intervalo entre aulas venho para casa e resolvo publicar algo. Não que isso seja necessário, mas é uma alternativa ao tédio deste horário. Vou aqui postar um poema, breve em sua essência, relatando de certa forma minha utima viagem (incríveis momentos). A noite, quando tiver tempo suficiente deixo um relato das minhas experiências Psicodálicas. Até breve.

Lucis

Rios de solaridade lambem a alma

e lavam a putrefeita criatura

Pedras ásperas, de felicidade campestre

Correntezas de insanidade

dias legalmente dementes

sem malícias, sem concreto

de verde esperança comunitária

e compartilhamento de bens

psicotrópicos, ou não

Uma luz que não ofusca a visão

com tons matutinos próprios,

capuzes amarelos

gravatas azuis

psicodelismo.



E como não podia faltar, uma foto do evento Psicodália 2008, São Martinho.


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

O Início.

Hoje, uma chuvosa Quinta-feira de Janeiro (a ultima do mês), sem nada mais para fazer, em uma ansiedade tremenda pelos próximos dias de Psicodália surge aquela idéia: vou iniciar outro Blog. Meu outro Blog coitado está morto (se bem que eu jamais divulguei aquele pobre Blog), então como uma nova idéia "pari" esta página, com um intuito de passar minhas idéias, reflexões, histórias, poemas e cotidiano de estudante universitário.
Espero que gostem e frequentem esta humilde página. Farei novas publicações sempre que possível (quando a quase "nada" puxada rotina da engenharia me permitir).

Como início acho que seria interessante contar um pouco sobre mim (o sujeito estranho por trás do teclado barulhento). Bem, sou algo excêntrico, sem muitas preocupações com a visão da sociedade sobre mim. Vivo como vivo, as vezes mais como um hippie maluco (no caso dos próximos cinco dias), as vezes mais como um engenheiro que porta-se com certos critérios, preocupado com o que será após o fim da formação acadêmica (não que isso me incomode). Posso dizer que sou libertário em excesso, não vejo o porquê de tanta repressão sobre os atos das pessoas e creio num mundo "raul-seixista", onde "há de ser tudo da lei". Sou perfeccionista por excelência, e sempre saliento isso. Apesar de todas as minhas atitudes nada ortodoxas prezo pelas coisas com qualidade em si (seja por realização efetiva das coisas, seja pelo acabamento, seja pela aparência de coisas). Mas não é por isso que posso ser taxado como um "padronizador" de mundos. Pelo contrário, gosto de coisas um tanto caóticas (se bem que todo o caos deve ser matematizável). Quanto ao resto, ah, é apenas o resto, não que isso não importe, mas minhas palavras não dizem o bastante. Essa linguagem falha da qual nos utilizamos não pode ser suficiente para tudo, não é mesmo?

Finalizando, posto aqui um texto-crônica-insano que redigi há algum tempo. Passo meu tempo livre escrevendo coisas "nonsense" e as vezes acabo viajando muito em idéias. (preciso passar a escrever menos, as vezes penso que estou pirando mesmo!)

Ai vai!

Noite de bar

-Garçom, sirva-lhe um conhaque que a noite há de ser longa como pétalas de margaridas do campo, com toda a graça de um beija-flor tangenciando-lhe as bordas.

E foi assim que Anônimo Pereira conheceu Sem-nome Gonçalves numa noite no bar de Zé Anonimato da Silva (brasileiro natural de Lugar Nenhum, sem anos), e comemoram seus desencontros pelas ruas ambíguas da vida.

Anônimo cortejava Sem-Nome crente que a levaria para a cama na primeira noite de encontro (como típico da maioria dos brasileiros, anônimos, como ele). Pedia tequilas e uísques, sem contar que lhe restavam poucas notas no magro bolso, saudosista dos tempos da inflação do Cruzado. Sem-Nome risonha como uma ave pesqueira ao avistar um cardume provocava-o veementemente, diretamente fitando-lhe os olhos, com o ardor de uma pomba nova.

O tempo passava e o casal aproximava-se exponencialmente, eis que Anônimo tangencia os lábios de mel (já um pouco ressecados por causa do cigarro) de Sem-Nome. O ato do beijo estende-se durante boa parte da madrugada, até que Zé Anonimato requisita aos pombinhos (que já aparentavam estar em núpcias) que parassem por ali a cena, visto que estavam iniciando o ato mais profundo de remover as roupas (típico entre seres humanos, na maioria dos casos maiores de dezoito anos e de sexos opostos entre si, apesar de que nem sempre coisas são assim), e beijarem em locais menos apropriados para a ocasião.

Anônimo revolta-se contra o Anonimato, e reage, revolto, embriagado, (típico brasileiro desempregado em noites de sextas-feiras), dizendo que apenas agia por paixão, amor ardente, e que queria preservar sua imagem, mesmo com a ocasião - imagem essa que a maioria dos freqüentadores do tal bar já sabiam não ser muito idônea – e prossegue ao balcão, puxando Sem-Nome pela entrada sobre o ombro (que a má alimentação causara naquela figura, ressalto aqui, tipicamente brasileira, nordestina, interiorana).

No balcão, Anônimo saca sua carteira e puxa as poucas notas de Real que lhe restavam, vale dizer que eram notas rascunhadas, rasgadas e putrefeitas, como a maioria das cédulas do dinheiro de nosso tempo. Anonimato, em tom já um tanto furioso, fita Anônimo e lhe requisita que dê imediatamente o restante do dinheiro para pagar a conta, visto que aquelas poucas notas não eram suficientes para sanar a dívida de bar.

Sem-Nome manifesta-se e seduz Anonimato, mesmo em frente a Anônimo, que fica perplexo. Tudo como poderia se esperar de um casal brasileiro sem “bufunfa”, sem lar, sem nada. Anonimato em um ato selvagem (selvagem até mesmo para um bar como o de sua posse) leva Sem-Nome para o quarto imundo que se conectava ao salão principal do bar.

Anônimo sai cabisbaixo do recinto e segue pela rua.

Nisso berros são ouvidos do bar:

- Ela era só uma prostituta (coisa típica de anti-contos-de-fadas brasileiros).

Anônimo cai pela sarjeta e ali dorme, visto que era um desabrigado miserável, como a maioria dos brasileiros deste tempo.